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As vantagens de poupar a longo prazo relativamente à poupança mais imediata

É urgente adotar a mentalidade de que é preciso fazer sacrifícios no consumo presente em benefício do consumo futuro: há que poupar.
As vantagens de poupar a longo prazo relativamente à poupança mais imediata

23 de Maio de 2017 | 00:00

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Desconhecimento, falta de recursos e de perspetiva a longo prazo. Estas são algumas das razões que explicam o esforço insuficiente de muitos portugueses no que diz respeito à poupança de longo prazo.

Os recursos económicos são um bem limitado e é necessário que comecemos a pensar em como os administrar, não só no curto prazo, mas ao longo de toda a nossa vida, uma vez que na altura da reforma veremos reduzidos os nossos rendimentos comparativamente àqueles que tínhamos durante a vida ativa, mas no entanto teremos sempre necessidades económicas que serão crescentes por diversas razões:

  • As pensões de reforma serão tendencialmente mais baixas, uma vez que as alterações de cálculo introduzidas recentemente relacionam os valores das pensões com a esperança de vida: ao viver mais anos, os custos com as pensões existirão durante mais tempo, de forma que, para que o sistema seja equitativo, o valor anual será mais baixo.
  • Este aumento da esperança de vida vai-nos exigir mais recursos para poder ter uma reforma plena. Certamente vamos querer dedicar-nos a outros passatempos que podem exigir alguma disponibilidade económica.
  • Ligadas a esta maior longevidade também podem surgir despesas relacionadas com cuidados de saúde e alojamento.

Em resumo, embora o futuro possa parecer longínquo, é necessário mentalizarmo-nos que devemos sacrificar o consumo presente por consumo futuro, ou seja, poupar.

Porquê poupar e planificar a longo prazo

Uma vez que essa troca do consumo presente pelo consumo futuro representa, sem dúvida, um sacrifício – entre outras coisas porque demoramos mais a ter a perceção do fruto do nosso esforço – deve haver um forte incentivo para que o façamos de forma correta e organizada. E uma das melhores formas de o conseguir é começar a poupar o mais cedo possível. Por que razão é benéfica a poupança de longo prazo?

O esforço de poupança é menor

Pensemos no caso de um trabalhador que queira planificar a sua reforma, e que faça o interessante exercício de quantificar as poupanças que deseja ter ao terminar a sua vida profissional e passar à fase da reforma. Imaginemos que essa pessoa define que com 100 mil euros pode complementar a sua futura pensão pública durante 15 anos e que este é o seu objetivo.

É evidente que, se começar a poupar nos primeiros anos da sua vida laboral, por exemplo, aos 30 anos, o esforço que deverá fazer será consideravelmente menor que se tomar consciência desta necessidade apenas aos 50 anos. Logicamente, há uma grande probabilidade de os rendimentos serem maiores aos 50 anos do que aos 30, e poderá compensar-se parcialmente o menor esforço dos anos iniciais. Mas não devemos esquecer um fator: o importantíssimo efeito do tempo na poupança. Pequenas quantias poupadas a longo prazo conseguem efeitos surpreendentes graças à capitalização.

Teremos maior margem de manobra

Se, por alguma razão, nos desviamos do nosso objetivo de poupança, ou se o investimento não cumpriu as expetativas que tínhamos inicialmente, podemos reformular a estratégia e repensar os objetivos com mais tranquilidade do que se tivéssemos de poupar num curto espaço de tempo.

Poderemos lidar com imprevistos

O objetivo de poupar para a reforma deve ser primordial para qualquer trabalhador. E não é só isso, como já dissemos, deve começar o mais cedo possível.

Contudo, isto não significa que durante a vida não possam surgir imprevistos financeiros. Isto é, aliás, bastante habitual. Por isso, embora a nossa estratégia de poupança deva ser a longo prazo e sem nos desviarmos do objetivo, é muito provável que em algum momento tenhamos de desviar alguns recursos para fazer face a determinados imprevistos. Ter começado a poupar com tempo, e com uma estratégia organizada, fará com que o impacto desses imprevistos seja menor, levando-nos a retomar, rapidamente e com menor esforço, o nosso caminho de poupança com vista ao principal objetivo.    

 

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