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Poupar ou investir para a minha reforma?

Pode parecer o mesmo, mas é mais do que possível que, chegada a altura da reforma, ter simplesmente poupado não seja suficiente

Tempo de leitura: 3 minutos

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Poupar ou investir para a minha reforma?

© TheaDesign - www.shutterstock.com/es

Todos temos mais ou menos em mente (ou deveríamos ter) que é essencial, e que o será cada vez mais, contar com um certo nível de poupança pessoal no momento de passar à reforma. Uma vez terminada a atividade profissional, a nossa capacidade de gerar rendimento será muito limitada, para além da pensão de reforma atribuída pelo Estado.

Uma vez que a tendência é que as pensões públicas percam protagonismo – devido às mudanças que têm estado a ser implementadas e que visam fazer frente aos desafios sociais e demográficos – será necessário complementá-las com poupança pessoal se não queremos ter um decréscimo notável do nível de vida na altura da reforma, relativamente ao que tínhamos durante a vida ativa.

Poderemos pensar, neste caso, que a solução passa por fazer uma poupança constante e com a maior antecedência possível durante a nossa vida laboral. Mas, o fato de se poupar será suficiente, ou será ainda necessário um esforço adicional para obter todo o rendimento possível desse dinheiro que vamos arrecadando?

Se poupamos…

No caso da poupança, e sendo restritos no significado do conceito, estaremos simplesmente a acumular dinheiro para cobrir uma necessidade futura. Esta acumulação de dinheiro está isenta de riscos, mas também exclui qualquer aspiração de revalorização desse dinheiro que vamos juntando, ou reduz essa valorização ao mínimo. Com os atuais tipos de juros, fazer poupança numa conta corrente equivale praticamente a ter o dinheiro parado.

O que é certo é que quem faz poupança não deve permitir-se a aplicar o seu dinheiro numa fórmula que se revela improdutiva, e menos ainda quando falamos de um objetivo de poupança tão importante de com um prazo de desenvolvimento tão alargado como a pensão de reforma.

A atual situação de baixa inflação e de risco de deflação não nos deve fazer esquecer que o crescimento médio dos preços num intervalo de tempo de, por exemplo, 30 anos, será positivo e enfraquecerá notavelmente o poder de compra de uma poupança que não gerou mais riqueza. Uma inflação de contornos normais, com níveis de 2% e 3% anuais, irá obrigar a que todos os anos o nosso capital acumulado obtenha rendimentos pelo menos nesses níveis, para evitar a perda dopoder de compra.

Se investimos...

Se a poupança se fica pelo objetivo de acumular dinheiro, o investimento pretende gerir ativamente esse capital, com o objetivo de alcançar um determinado rendimento. Haverá, portanto, que assumir um certo risco neste processo de investimento e será essencial compreender qual o nível de risco que podemos suportar em cada momento.

Se me encontro a uma grande distância temporal do objetivo para o qual estou a poupar, posso assumir um maior risco do que se me encontrar a escassos anos. A margem de manobra é muito maior. No caso de se estar a poupar para a pensão de reforma, pode e deve ser-se mais ativo neste processo de investimento aos 30 anos do que aos 60 anos. Neste segundo caso, o objetivo deve ser de consolidação do capital gerado durante todos os anos anteriores, evitando qualquer tipo de risco.

Porque é que precisamos de investir e não apenas de poupar

A resposta é simples: cada vez precisaremos de mais capital para a nossa futura reforma. Eis as principais razões:
  • O valor das pensões públicas tende a ser cada vez mais baixo: É uma tendência que já observámos em países vizinhos que se encontram mais avançados nas suas reformas do sistema de pensões. Estreita-se o intervalo entre a pensão máxima e a mínima e as pensões públicas representam cada vez mais uma percentagem menor do salário recebido na vida ativa.
  • Cada vez vivemos mais anos: É notavelmente maior o período em que vivemos na qualidade de reformados dado que, mesmo com a idade de reforma a avançar gradualmente, a esperança de vida continua a crescer e assim continuará a um ritmo considerável nas próximas décadas. Até 2050, em Portugal rondará os 90 anos, o que supõe 22 anos de vida a partir da altura em que se chega à reforma. Há apenas umas décadas, a diferença entre a idade de reforma e a esperança média de vida não excedia os 10 anos.
  • Aumentam as despesas durante a reforma: Ainda que seja uma etapa da vida que não se caracteriza por grandes gastos ou investimentos, esta maior longevidade é cada vez mais exigente no que toca a despesas com os cuidados de saúde e tratamentos que as idades mais avançadas requerem. 

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