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Aumento da esperança de vida: um fenómeno perpétuo?

O aumento da longevidade será um processo contínuo que irá perpetuar-se de forma indefinida. Daí a importância da adaptação dos sistemas públicos de pensões, que foram pensados para alturas em que a esperança de vida era menor.
Aumento da esperança de vida: um fenómeno perpétuo?

26 de Setembro de 2014 | 00:00

O aumento da esperança de vida é uma evolução recente da humanidade e, provavelmente, o fenómeno irá continuar e aumentará, até se atingir uma esperança de vida acima dos 100 anos para todas as pessoas. A hipótese de 50% das pessoas nascidas numa dada altura poderem sobreviver e superar a barreira dos 100 anos pode verificar-se no caso de mulheres, já nascidas, em países com uma esperança de vida elevada.

Esta questão, revelada no estudo “Longevidade: Uma Breve Análise Global e Atuarial” – elaborado por Mercedes Ayuso, do Departamento de Econometria, Estatística e Economia, da Universidade Riskcenter de Barcelona e Robert Holzmann, da Universidade da Malásia e Academia Austríaca de Ciências – dá-nos uma ideia de que até que ponto é necessário introduzir reformas nos sistemas públicos de pensões.

“A tendência nos países desenvolvidos durante as últimas décadas caracteriza-se por haver um crescimento mais lento da mão de obra devido ao decréscimo da fertilidade, enquanto que o número de reformados aumenta devido ao efeito de coorte e ao aumento da esperança de vida em idades avançadas. Se não se introduzirem mudanças no sistema, nas próximas décadas este desequilíbrio tenderá a piorar devido ao ligeiro aumento ou mesmo diminuição da população activa em vários países da Europa e Ásia, ao mesmo tempo que aumenta de forma contínua a esperança de vida entre as pessoas de mais idade”, diz o estudo.

Porque é que os sistemas de pensões não foram adaptados antes?

A resposta é simples: o aumento da esperança de vida é uma tendência crescente, diz o relatório. “Muitos dos estudos sobre a longevidade, o envelhecimento da população e a previdência social não contemplam o facto de que este envelhecimento constitui um fenómeno muito recente na sociedade”.

Anteriormente, e com base em achados arqueológicos recentes, as principais hipóteses em cima da mesa demográfica indicam que, até finais do século XVIII, a esperança de vida se tinha mantido constante desde os tempos dos caçadores-recoletores e durante cerca de 8 mil gerações. A esperança média de vida ao nascer era de 31 anos e, de acordo com vestígios arqueológicos, situava-se de facto entre os 27 e os 35 anos.

Porém, desde o início do século XX que a esperança de vida à nascença tem vindo a aumentar, primeiro num pequeno grupo de países industrializados e modernizados e, ao longo do século XX, em todo o mundo. Este aumento da esperança de vida deve-se, antes de mais, à redução da taxa de mortalidade nas idades mais precoces, especialmente, aquando do nascimento e entre as crianças com menos de 5 anos, devido à melhoria das condições na realização dos partos e aos esforços de imunização.

Mas, acima de tudo, as alterações mais recentes no que diz respeito à esperança de vida em todas as idades devem-se à redução da taxa de mortalidade ou ao aumento da probabilidade de sobrevivência nas idades mais avançadas. No futuro, praticamente todo o aumento da esperança de vida se ficará a dever à melhoria da taxa de mortalidade perto da idade da reforma e em idades superiores.

Estas mudanças demográficas explicam que, durante muito tempo, o planeamento das reformas nos sistemas de pensões, que começaram com Bismarck, se tenha mantido alheio a este aumento da longevidade.

Este fenómeno durará para sempre?

Não se pode prever o futuro mas, de acordo com os especialistas, há indícios claros de que o aumento da longevidade será um processo contínuo que se irá perpetuar de forma indefinida, ainda que com prováveis períodos de desaceleração no futuro.

O comportamento da esperança de vida tem sido de aumento linear em todos os países desde 1840. No geral, os ganhos de sobrevivência são resultado da “complexa interação das melhorias nos rendimentos, na salubridade, na nutrição, na educação e, acima de tudo, nos cuidados médicos”. Em determinados países, o aumento da esperança de vida não aconteceu ao mesmo ritmo nem de forma tão linear. No entanto, nem a tendência da esperança de vida para níveis recorde, nem a trajetória de determinados países sugerem que “se trace um limite para o aumento da esperança de vida no futuro”.

 

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